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Quer produzir inseticidas: conheça os principais tipos do produto

inseticidas

Em 1962, a escritora e bióloga Rachel Carson chamou atenção para o uso de agrotóxicos nos Estados Unidos. Em seu livro “Primavera Silenciosa”, Carson comenta sobre os efeitos de inseticidas químicos para o meio ambiente. No Brasil, o uso desses defensivos agrícolas é muito comum, visto a importância da agricultura na economia do país.

Nesse contexto, a busca por inseticidas naturais/orgânicos cresce no mercado brasileiro. Já no primeiro bimestre deste ano, houve uma alta de 11% (Abiquim). Esses defensivos são importantes aliados no controle de insetos-pragas e no aumento da produtividade das culturas agrícolas. Assim, é importante conhecer os tipos de inseticidas e a sua função antes de investir na sua fabricação.

Classificações de defensivos agrícolas

Os defensivos agrícolas visam o controle de diversas pragas, podendo elas serem de diferentes tipos. Dessa forma, esses pesticidas podem ser classificados quanto ao seu modo de ação, persistência, deslocamento, duração do efeito de tratamento e toxicidade.

Primeiramente, o modo de ação diz respeito a como o produto entrará em contato com o organismo da praga. Podendo ser por meio da respiração, ingestão ou somente por contato direto. A persistência está relacionada ao tempo necessário para que o efeito do produto se reduza pela metade. Já o deslocamento refere-se ao quanto o produto se espalhou nesse período. 

duração do efeito de tratamento é dividida em duas partes: o efeito residual e instantâneo (knockdown). Assim, o efeito residual é aquele que, quando aplicado em algum local, mantém o risco de morte por um tempo prolongado (semanas ou até meses). Já o instantâneo, age de imediato logo na aplicação do produto.

Por fim, há a classificação de toxicidade. Nela, os produtos são divididos em tarja verde (levemente tóxico), azul (moderadamente tóxico), amarela (altamente tóxico) e vermelha (extremamente tóxico).

Classificação de toxicidade

Principais Tipos de Inseticidas

Dentre os inseticidas, é possível classificá-los por sua composição química. Aqui iremos focar nas espécies sintéticas, ressaltando seus benefícios e malefícios:

  1. Organofosforados: Utilizados principalmente para insetos sugadores. Derivam do ácido fosfórico. Atuam no sistema nervoso dos insetos. São biodegradáveis, persistem no solo por cerca de 1-3 meses e não são cumulativos. Entretanto, o corpo humano pode absorvê-los, sendo necessário cuidado em sua manipulação. Sua toxicidade é aguda, ou seja, alguém que está intoxicado percebe rapidamente seus efeitos.
  2. Carbamatos: São derivados do ácido carbâmico. Também atuam no sistema nervoso. Essa molécula é infrequente, deixando menos resíduos no meio ambiente, além de ser insolúvel em água. Sua toxicidade é média/aguda e o corpo humano absorve pouco essa espécie.
  3. Piretróides: Utilizados para o controle de baratas, percevejos, pulgas, moscas e  mosquitos. Trata-se de um éster do ácido crisântemo. São muito eficientes, mesmo utilizados em doses menores. Também atuam bloqueando os canais de sódio do sistema nervoso, paralisando os insetos. Sua toxicidade é baixa para mamíferos, porém, são solúveis em água e podem causar morte a espécies aquáticas.

Vale a pena mencionar os organoclorados, muito utilizados até sua proibição no Brasil em 1985. Isso aconteceu porque esse defensivo agrícola é extremamente tóxico e com grande poder de acumulação, além de possuir caráter cancerígeno. A toxicidade desse pesticida também é crônica, uma vez que seus efeitos aparecem de forma lenta, sendo dificilmente notados. 

Benefícios e Malefícios dos Inseticidas Sintéticos

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No geral, considerando os principais inseticidas citados, pode-se dizer que estes produtos trazem resultados eficientes quanto à sua ação. Contudo, essas espécies químicas podem trazer resultados negativos ao meio ambiente, afetando solo, água, outros animais e plantas nativas. Esse impacto atinge, inclusive, seres humanos, caso sua manipulação seja incorreta e não atenda às normas de segurança.

Dentre os benefícios dos inseticidas sintéticos, cita-se sua ação rápida, eficiente e fácil aplicação. Por outro lado, esses produtos podem gerar um alívio apenas temporário, bem como causarem resistência nas pragas. Outra desvantagem seria a produção de resíduos que contaminam o meio ambiente ou afetam outros insetos. Esses outros animais podem trazer benefícios à colheita, como os polinizadores.

Inseticidas Orgânicos: uma alternativa 

Como citado, os pesticidas sintéticos podem trazer reações à natureza e à saúde dos trabalhadores. Dessa forma, os inseticidas orgânicos, que utilizam de práticas naturais, surgem como uma alternativa. Alguns exemplos são:

  • Hortelã: a pulverização do seu chá sobre as plantas é eficiente no combate a formigas, principalmente.
  • Alho e Sabão de Coco: mistura desses ingredientes diluída em 10 litros de água. Deve ser adicionado nas plantas, principalmente para combater carrapatos e insetos que se alimentam das folhas.
  • Arruda: essa planta possui um forte efeito no combate a pulgões e cochonilhas. Deve ser triturada com sabão e dissolvida até formar uma substância pastosa, para então espalhar essa mistura nas culturas. Mas tenha atenção ao manusear essa pasta, pois ela causa irritação à pele e não pode ser ingerida.
  • Chá de Crisântemo: o chá das folhas desta planta atua de forma mais branda no sistema nervoso dos insetos. Essa planta é utilizada na produção de piretróides (inseticida sintético).

A principal vantagem desses defensivos é o seu baixo impacto ambiental, pois são facilmente biodegradáveis. Além disso, eles são mais econômicos que os sintéticos e compatíveis com o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Dentre as suas desvantagens há uma menor eficiência, necessitando de mais aplicações. Outro ponto é o efeito não imediato, o que não é comum para os sintéticos.

Mercado

análise de mercado

Por fim, é importante estar atento às tendências de mercado antes de investir na produção de qualquer produto. No Brasil, a expectativa para o mercado de inseticidas em 2021 é de crescimento. Segundo a Revista Globo Rural, espera-se um crescimento de mais de 50% ao longo do ano. Portanto, esse é um cenário favorável ao investimento em inseticidas, seja para escalas de produção pequenas ou grandes. 

Por outro lado, a escolha desses defensivos agrícolas deve ser feita com critérios. Atualmente, há uma pressão cada vez maior da sociedade quanto a uma agricultura mais sustentável e menos agressiva à natureza. Dessa forma, o investimento deve se atentar ao Marketing Verde e a produtos cada vez menos nocivos ao planeta.

Conclusão

Portanto, os inseticidas possuem a função de controlar insetos-praga que acometem as colheitas agrícolas. Esses defensivos são importantes para garantir maior produtividade das colheitas e impedir a transmissão de doenças desses insetos às plantas. 

Antes de começar a investir nesses produtos, é preciso pesquisar sobre as tendências de mercado para eles. Ademais, também é importante selecionar com cuidado os inseticidas, atentando-se às classificações, componentes químicos e efeitos. 

Então, agora que você já sabe mais sobre os tipos de inseticidas, que tal entender melhor como fazer uma boa análise antes de investir?

Lucas Brandão e Isabel Garabini

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